A Polícia Federal instaurou um novo inquérito para apurar suspeitas de envolvimento do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), com o crime organizado durante as eleições de 2024. A investigação foi autorizada em agosto pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), a pedido da Procuradoria Regional Eleitoral (PRE), e tramita sob segredo de Justiça.
De acordo com informações obtidas pelo Portal MaisPB, a apuração se baseia em elementos da Operação Território Livre, que resultou na prisão da primeira-dama Lauremília Lucena. A PF agora analisa documentos, interceptações e depoimentos que indicam possível apoio da facção Nova Okaida à campanha de reeleição do prefeito.
Segundo o Ministério Público Eleitoral (MPE), há indícios de que Cícero foi beneficiário direto do apoio da facção, que teria restringido o acesso de adversários a comunidades sob seu domínio e coagido eleitores a votar no atual gestor. Em troca, o grupo teria recebido nomeações em cargos públicos.
Os promotores afirmam que, para se distanciar das negociações, o prefeito delegava à esposa a função de interlocutora com os criminosos, mantendo, porém, “constante supervisão” sobre o esquema. O MPE aponta Cícero como o “mandante e autor intelectual” do acordo ilícito.
A decisão de abrir o inquérito foi assinada pelo juiz federal Bruno Teixeira de Paiva, que considerou o pedido do procurador Renan Paes “juridicamente acertado”. O magistrado autorizou a PF a investigar a eventual participação do prefeito e outros possíveis delitos descobertos no curso da apuração.
O MPE sustenta que documentos apreendidos, comunicações interceptadas e depoimentos indicam a ciência e anuência de Cícero sobre as tratativas entre a primeira-dama e líderes da facção. Apesar disso, a Procuradoria entendeu que ainda não há provas suficientes para uma denúncia formal, motivo pelo qual solicitou novas diligências, como a quebra dos sigilos bancário, telefônico e telemático do prefeito.
A Polícia Federal tem prazo para concluir o inquérito, que poderá ser prorrogado, antes de o caso retornar ao TRE-PB para decisão sobre eventual denúncia ou arquivamento.

Em nota, a defesa do prefeito Cícero Lucena trata a informação publicada pelo Portal MaisPB como “um conjunto de ilações” para “desgastar sua imagem por meio de interpretações distorcidas e maldosas”. Argumentando que, “em decisão proferida em 11 de setembro de 2025, o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) acolheu parecer da Procuradoria Regional Eleitoral e determinou a devolução do inquérito à 64ª Zona Eleitoral, reconhecendo que os atos atribuídos ao prefeito já estavam sendo analisados no âmbito da Operação Território Livre. Assim, Cícero não integra o escopo investigativo da Operação Livre Arbítrio”.
Porém, o inquérito aberto pela Polícia Federal foi deflagrado no âmbito de outro processo, não o citado pela assessoria do prefeito.
Confira a nota na íntegra:
Curiosamente, mais uma vez, quando o nome de Cícero Lucena aparece liderando pesquisas eleitorais, surgem tentativas de desgastar sua imagem por meio de interpretações distorcidas e maldosas.
Nesta terça-feira (28), uma publicação exibindo supostos documentos sob segredo de Justiça tenta induzir o leitor a acreditar em um conjunto de ilações, sem qualquer base concreta ou denúncia apresentada à Justiça Eleitoral.
A assessoria do prefeito e pré-candidato ao Governo da Paraíba em 2026 esclarece que o processo nº 0600222-50.2024.6.15.0070, vinculado à Operação Livre Arbítrio, não inclui Cícero Lucena entre os investigados.
Em decisão proferida em 11 de setembro de 2025, o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) acolheu parecer da Procuradoria Regional Eleitoral e determinou a devolução do inquérito à 64ª Zona Eleitoral, reconhecendo que os atos atribuídos ao prefeito já estavam sendo analisados no âmbito da Operação Território Livre. Assim, Cícero não integra o escopo investigativo da Operação Livre Arbítrio.
É importante destacar que a Operação Território Livre investiga supostos atos ocorridos no segundo turno das eleições de 2022, período em que Cícero Lucena não era candidato nem tinha parentes em disputa, tendo se limitado a apoiar as candidaturas do governador João Azevêdo e do vice-governador Lucas Ribeiro. Em tal operação há agentes públicos investigados, mas pertencem a esfera estadual.
Cícero Lucena reafirma que sempre esteve e continuará à disposição das autoridades para qualquer esclarecimento, por confiar na verdade, na justiça e na transparência de sua vida pública, se submetendo ao maior julgamento que um político pode passar – o processo eleitoral.
O prefeito lamenta ainda o uso político e recorrente de informações distorcidas em períodos eleitorais — prática já enfrentada em outras campanhas — e reitera sua serenidade e confiança de que, mais uma vez, a verdade prevalecerá, com a reafirmação de sua conduta ética e irrepreensível ao longo de toda sua trajetória.



