A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) investiga 13 casos de suspeita de perda de visão associados ao uso de “canetas emagrecedoras”. Os registros, que tratam de potenciais eventos adversos e ainda não têm confirmação de nexo causal, envolvem 12 notificações ligadas à semaglutida (princípio ativo do Ozempic e Wegovy) e uma relacionada à tirzepatida (do Mounjaro). A agência ressalta que a notificação não estabelece o medicamento como culpado, dependendo de análises clínicas individuais e da exclusão de outras causas.
O foco das suspeitas é a Noiana (neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica), uma condição ocular potencialmente irreversível. Segundo o oftalmologista Emilio Suzuki, presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO), a doença afeta o fluxo sanguíneo do nervo óptico. O especialista explica que processos de emagrecimento rápido podem gerar hipotensão, reduzindo esse fluxo, enquanto condições pré-existentes dos próprios pacientes, como diabetes e obesidade, já causam problemas circulatórios nas extremidades do corpo e nos olhos.
Em junho de 2025, a Anvisa já havia emitido um alerta classificando a perda repentina de visão como um evento adverso “muito raro” associado à semaglutida, determinando a inclusão do risco nas bulas desses remédios. Pacientes que apresentarem sintomas como visão turva, piora rápida ou perda súbita da visão durante o tratamento devem procurar atendimento médico imediatamente.
Em nota, a Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy, informou que não identificou aumento na incidência de Noiana em seus ensaios clínicos. A Eli Lilly, responsável pelo Mounjaro, afirmou que monitora rigorosamente as informações de segurança de seus produtos, incluindo relatos oftalmológicos. Ambos os princípios ativos são indicados para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, e a Anvisa reforça que o uso exige prescrição, retenção de receita e acompanhamento médico estrito.



