O Vaticano anunciou nesta quinta-feira (2) a exclusão da Fraternidade São Pio X (SSPX) da Igreja Católica, declarando oficialmente o grupo em cisma após a ordenação de quatro bispos sem autorização do papa Leão XIV. A Santa Sé também confirmou a excomunhão dos bispos ligados à organização e declarou inválidos os sacramentos celebrados por eles.
A decisão foi tomada um dia após a cerimônia realizada em Écône, na Suíça, considerada pelo Vaticano um “ato cismático”. Antes da ordenação, o papa Leão XIV havia feito um apelo ao superior da fraternidade, padre Davide Pagliarani, para que desistisse da iniciativa, mas o pedido foi ignorado.
Além da excomunhão dos bispos, o Vaticano orientou os fiéis a não aderirem ao grupo, afirmando que casamentos, confissões e demais sacramentos celebrados pela fraternidade não têm validade perante a Igreja. A Santa Sé também advertiu que padres e leigos que passarem a integrar o movimento serão considerados em situação de cisma e excomungados.
Fundada em 1970 pelo bispo francês Marcel Lefebvre, a Fraternidade São Pio X reúne católicos tradicionalistas que rejeitam parte das reformas promovidas pelo Concílio Vaticano II. Entre suas principais bandeiras estão o retorno das missas em latim, a celebração voltada para o altar e uma interpretação mais rígida da doutrina católica.
O conflito entre a fraternidade e o Vaticano se arrasta há décadas. Em 1988, Lefebvre também ordenou bispos sem autorização papal, o que resultou em excomunhão. Embora a punição tenha sido suspensa em 2009 pelo papa Bento XVI, a situação canônica do grupo permaneceu irregular. Com a nova ordenação de bispos, a crise se intensifica e marca um dos primeiros grandes desafios do pontificado de Leão XIV.



