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TENSÃO

‘Se a Europa quiser guerra, estamos prontos’, diz Putin

Presidente russo recusou contraproposta da Europa ao plano de paz elaborado por Trump, visto por líderes europeus como favorável à Rússia.
Presidente russo, Vladimir Putin — Foto: Sergei Ilnitsky/ Reuters
Presidente russo, Vladimir Putin — Foto: Sergei Ilnitsky/ Reuters

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, rejeitou nesta terça-feira (2) as propostas apresentadas pela Ucrânia e por líderes europeus no plano de paz elaborado pelo governo de Donald Trump. Em tom de confronto, o líder russo acusou a Europa de não querer negociar e afirmou que Moscou está preparada para um conflito direto. “Se a Europa quiser lutar uma guerra, nós estamos prontos agora”, declarou.

O plano original dos EUA continha 28 pontos considerados favoráveis à Rússia, como a cessão de 20% do território ucraniano, a proibição de entrada na Otan e a redução significativa do Exército de Kiev. A versão revisada por europeus e ucranianos amenizou algumas exigências — por exemplo, a redução do contingente ucraniano para 800 mil soldados, e não 600 mil — mas manteve a rejeição à entrega de territórios, algo considerado inegociável para o governo de Volodymyr Zelensky.

Putin classificou como “totalmente inaceitáveis” as alterações feitas por europeus, sem detalhar quais pontos repudiou. A declaração ocorre em meio ao aumento das tensões entre Moscou e países da União Europeia, que vêm reforçando suas defesas após incidentes com drones e temores de escalada militar. Nesta semana, um comandante da Otan mencionou a possibilidade de “ataques preventivos” contra a Rússia, o que gerou forte reação do Kremlin.

As falas de Putin foram dadas durante encontro com o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, que levou a Moscou a proposta reformulada de Trump na tentativa de reabrir o diálogo. Após horas de reunião, porém, o Kremlin confirmou que não houve qualquer avanço.

Putin disse estar disposto a negociar, mas advertiu que, se Kiev não aceitar um acordo, as forças russas continuarão avançando e tomarão novas áreas — afirmação feita um dia após celebrar a suposta captura de uma cidade-chave, o que a Ucrânia nega.

Desde o início da invasão em 2022, a Rússia controla mais de 19% do território ucraniano e avançou em 2025 no ritmo mais rápido desde o primeiro ano da guerra, segundo mapas pró-Ucrânia. Kiev afirma que os ganhos territoriais vieram acompanhados de pesadas perdas das tropas russas.

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