Uma reportagem exibida pela TV Cabo Branco destacou as mulheres do povo Potiguara que mantêm viva a tradição ancestral da parteria, transmitindo saberes de geração em geração, no Litoral Norte da Paraíba. A prática é fortalecida pela Associação de Parteiras e Benzedeiras do Povo Potiguara (Aparbep), formada por 16 integrantes que acompanham gestantes desde o pré-parto até o nascimento das crianças, geralmente realizado nas próprias residências das famílias.
A sede da associação fica na Aldeia do Forte, em Baía da Traição, onde as parteiras se reúnem para trocar experiências, orientar gestantes e preservar conhecimentos tradicionais. O trabalho é voluntário e reúne práticas que combinam cuidados com a saúde, uso de ervas medicinais, rezas e rituais culturais.
Entre as parteiras está a enfermeira Aparecida dos Santos Bezerra, conhecida como Cida Potiguara, que iniciou na atividade aos 16 anos ao acompanhar a tia Nancy, hoje com 83 anos e uma das mais antigas parteiras do povo Potiguara. Desde então, Cida já ajudou a trazer ao mundo mais de 300 crianças.

Outras mulheres também carregam décadas de experiência, como Lindinalva Ferreira da Silva, a Pempa, que soma mais de mil partos ao longo de 50 anos de atuação. Para elas, a parteira apenas auxilia o processo, enquanto o parto é conduzido pela mãe e pela fé.
A tradição segue sendo renovada com novas gerações, como Josiane Torres, que se tornou parteira recentemente após aprender com as mais experientes. Para as mulheres Potiguara, a parteria representa mais que um ofício: é uma prática sagrada que fortalece a cultura indígena e mantém viva a conexão com a ancestralidade e com a natureza.




