O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta terça-feira (1º) o sigilo de um relatório da Polícia Federal que reúne mensagens e contatos entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, preso na Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes no sistema financeiro.
Mendonça também encaminhou ofício à Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando esclarecimentos sobre uma mensagem encontrada no celular de Vorcaro. Na conversa, o banqueiro afirma precisar de proteção do procurador-geral Paulo Gonet e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A PF não identificou diretamente o destinatário da mensagem, mas não descarta que se tratasse de um pedido dirigido a Moraes. A PGR terá cinco dias para se manifestar.
O relatório também revela mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro pouco antes da prisão do empresário. Em uma delas, cerca de 48 horas antes da operação, Vorcaro pergunta ao ministro se deveria estar fora na segunda-feira. Em outra, questiona sobre a possibilidade de a operação ocorrer na manhã seguinte e sugere um encontro com Moraes.
Em outro trecho, Vorcaro afirma ter uma “dívida de vida” com Moraes e sua família, agradecendo por supostas intervenções em seu favor.
As investigações também apontam para a participação de Moraes na edição de um contrato estimado em R$ 130 milhões entre o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e Vorcaro. Segundo a defesa do escritório, o ministro foi consultado apenas sobre possíveis impedimentos legais para a contratação.
O relatório da PF identificou ainda um segundo contrato, de R$ 50 milhões, entre o escritório e a Viking Participações, empresa ligada a Vorcaro. Em mensagens, o ex-banqueiro chegou a classificar o acordo como o “contrato mais importante” e reclamou de atrasos nos pagamentos.
Diante das novas informações, Mendonça sugeriu que o caso seja analisado pelo plenário do STF. Para o ministro, a eventual deliberação deve ocorrer de forma pública e transparente, cabendo ao presidente da Corte, Edson Fachin, definir a data.



