Uma operação conjunta da Polícia Federal, do Ministério Público Federal, do Ministério Público do Trabalho e do Ministério do Trabalho e Emprego foi deflagrada nesta quarta-feira (10) para investigar um esquema de tráfico de mulheres para exploração sexual e submissão a condições análogas à escravidão na Paraíba, em Pernambuco e no Rio Grande do Norte.
Batizada de “Donos da Noite”, a ação cumpriu mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal. Na Paraíba, as diligências ocorreram nos municípios de Alagoa Grande, Guarabira (com dois mandados), Pitimbu, Pedro Régis e Itabaiana. Também foram cumpridos dois mandados em Nova Cruz, no Rio Grande do Norte, e um em Goiana, em Pernambuco.
As investigações tiveram início a partir de uma representação da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Guarabira. O caso foi encaminhado da Justiça Estadual para a Justiça Federal e, posteriormente, aprofundado pela Polícia Federal.
Além do cumprimento das ordens judiciais, equipes de fiscalização realizam inspeções nos estabelecimentos investigados para coletar provas de possíveis crimes relacionados ao trabalho escravo e ao tráfico de pessoas para exploração sexual, bem como identificar vítimas e promover eventuais resgates.
Segundo a Polícia Federal, os investigados manteriam locais destinados à exploração sexual, impondo às vítimas dívidas, metas de consumo, multas e outros mecanismos de controle. Há ainda indícios de que mulheres eram transferidas entre unidades situadas na Paraíba, em Pernambuco e no Rio Grande do Norte.
A operação busca apreender documentos, celulares, computadores, registros contábeis, comprovantes de transações financeiras e outros materiais capazes de comprovar os crimes, identificar vítimas, ouvir testemunhas e rastrear os recursos obtidos com as atividades investigadas.
Participam da ação policiais federais, procuradores da República, procuradores do Trabalho e auditores fiscais do trabalho, em uma força-tarefa voltada ao combate a crimes contra a dignidade humana, a organização do trabalho, a liberdade individual e a dignidade sexual.
Os suspeitos poderão responder, conforme o grau de participação de cada um, pelos crimes de redução à condição análoga à de escravo, tráfico de pessoas, manutenção de casa de prostituição e rufianismo, além de outros delitos que possam ser identificados ao longo das investigações.



