O Povo Indígena Potiguara celebrou o Dia dos Povos Indígenas, neste 19 de abril, com uma mobilização que uniu ritos tradicionais e pressão política na Aldeia São Francisco, em Baía da Traição. O evento, que reuniu milhares de pessoas, serviu de palco para cobrar do governo estadual a criação de uma secretaria dedicada exclusivamente às pautas originárias.
A principal demanda do território, que abriga 33 aldeias e cerca de 25 mil pessoas, é a formalização da Secretaria dos Povos Indígenas da Paraíba. Atualmente, o estado conta com gerências operacionais, mas as lideranças argumentam que uma pasta própria garantiria maior autonomia e capacidade de articulação direta no orçamento público.
“Hoje é um dia de celebrar vitórias de séculos, mas o ponto central é o pedido da secretaria”, afirmou o Cacique Sandro, liderança geral dos Potiguaras. “Precisamos de um espaço para articular melhorias para os territórios de forma direta”, frisou.
O governador Lucas Ribeiro (PP), participou da celebração e sinalizou que a gestão deve atender ao pedido. “Vamos seguir nessa parceria e vamos firmar a criação da secretaria”, declarou o governador no “terreiro sagrado” da aldeia mãe.
A proposta também tramita na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB). A deputada estadual Danielle do Vale (Republicanos), autora de proposituras voltadas ao território, destacou que a criação da pasta é uma demanda unificada entre os caciques. A parlamentar também defende a oficialização do Dia da Mulher Indígena no calendário estadual.
Além do tom político, a festividade na Aldeia São Francisco foi marcada por homenagens aos “troncos velhos” — as lideranças ancestrais que mantiveram a cultura e a posse da terra vivas diante de pressões externas ao longo das décadas.
A celebração reafirma a vitalidade da etnia Potiguara que, diferente de outros povos do Nordeste que perderam o acesso ao litoral, mantém a ocupação contínua de suas terras ancestrais e utiliza a mobilização política para consolidar direitos territoriais e sociais.



