Os Estados Unidos estão avaliando classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, segundo reportagem do The New York Times publicada nesta sexta-feira (27). A discussão ganhou força nas últimas semanas dentro do Departamento de Estado, após contatos de filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro com integrantes do governo de Donald Trump.
De acordo com a publicação, a medida ainda não foi oficialmente confirmada por Washington. No entanto, autoridades americanas já vinham debatendo a inclusão das facções em listas de terrorismo, o que implicaria sanções econômicas e restrições internacionais mais severas.
A iniciativa se insere em uma política mais ampla do governo Trump de enquadrar grupos criminosos da América Latina como organizações terroristas. A Casa Branca argumenta que a classificação é aplicada a grupos que representam risco à segurança dos Estados Unidos — critério já utilizado, principalmente, contra cartéis mexicanos.
Apesar disso, há dúvidas dentro do próprio governo americano sobre a aplicação desse enquadramento às facções brasileiras, que não têm atuação direta significativa no território dos EUA.
A proposta também provocou reação do governo brasileiro. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, já manifestou a autoridades americanas oposição à medida e defendeu a cooperação no combate ao crime organizado sem a classificação como terrorismo.
Diplomatas brasileiros avaliam que a eventual decisão pode abrir precedentes para intervenções externas e gerar impactos políticos e econômicos. Além disso, o Brasil argumenta que, pela legislação nacional, organizações terroristas são definidas por motivações ideológicas ou religiosas, o que não se aplicaria às facções criminosas.
O tema também ocorre em meio a tensões recentes entre os dois países. No último ano, o governo Trump chegou a impor tarifas a produtos brasileiros e sancionar o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, medidas que foram posteriormente revertidas após negociações com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Até o momento, não há decisão final sobre a possível classificação das facções brasileiras como terroristas.



