A confirmação da pré-candidatura do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa à Presidência da República pelo Democracia Cristã (DC) deflagrou uma crise interna na legenda, com ameaça de judicialização por parte do ex-ministro Aldo Rebelo.
Anunciado no início do ano como o nome do partido para o Planalto, Rebelo afirmou à TV Globo que manterá sua postulação até a convenção partidária, contestando a troca. “Mesmo que tenha que judicializar”, declarou.
Segundo o ex-ministro, a mudança reflete apenas a versão do presidente nacional da sigla, o ex-deputado federal João Caldas. Rebelo destacou que Barbosa ainda não se pronunciou oficialmente sobre a indicação.
A articulação para a entrada do ex-magistrado na disputa foi revelada pelo Painel, da Folha, e confirmada pelo g1. Barbosa filiou-se formalmente à sigla de centro-direita com o propósito de concorrer ao Planalto.
Em nota oficial, João Caldas justificou a substituição pelo fraco desempenho do antigo pré-candidato nas pesquisas de intenção de voto e defendeu que Barbosa representa a “possibilidade de união nacional”
“Sua trajetória honra os valores republicanos e responde ao desejo de mudança da sociedade brasileira”, afirmou Caldas. “O momento exige união, propósito e desprendimento. O Brasil está acima de projetos pessoais.”
O dirigente partidário também explorou o perfil de Barbosa como o de um julgador rigoroso para contrapor o atual cenário político. “Atualmente, vivemos no Brasil uma crise institucional entre os Três Poderes. Não existe ninguém melhor do que Joaquim Barbosa para resolver isso. Ele será o mensageiro que nos resgatará desse cenário”, disse.
Procurado, o ex-ministro do STF não atendeu aos pedidos de entrevista para comentar a filiação e a disputa interna.
Barbosa integrou a corte entre 2003 e 2014, tendo ganhado projeção nacional como relator do processo do mensalão. Ele se aposentou voluntariamente em julho de 2014, dez anos antes do limite compulsório, que permitiria sua permanência no tribunal até 2029. Em 2018, o ex-magistrado chegou a ensaiar uma candidatura presidencial pelo PSB, mas desistiu do pleito alegando razões estritamente pessoais.



