A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou nesta quarta-feira (26), durante o Summit CBF Academy, a criação do Sistema de Sustentabilidade Financeira — modelo que funcionará como o fair play financeiro nacional. A proposta estabelece regras rígidas para controle de dívidas, gastos, endividamento e equilíbrio operacional dos clubes das Séries A e B, com implementação gradual até 2030.
Segundo o presidente da CBF, Samir Xaud, o sistema foi construído de forma colaborativa e busca promover “justiça, equilíbrio e proteção ao futebol”. Ele afirmou que o mecanismo permitirá maior responsabilidade na gestão, assegurando condições mais igualitárias de competição, salários em dia e segurança para torcedores e investidores.
Principais regras do novo sistema
O modelo prevê fiscalização tripla anual das dívidas, registro obrigatório e em tempo real de transferências via DTMS e possibilidade de denúncias por jogadores e clubes à ANRESF. Débitos anteriores a 2026 deverão ser quitados até novembro de 2026, enquanto dívidas futuras passam a valer imediatamente.
No equilíbrio operacional, os clubes precisarão apresentar superávit em ciclos trienais. A partir de 2028, o déficit máximo permitido será de R$ 30 milhões ou 2,5% das receitas para clubes da Série A, e R$ 10 milhões ou 2,5% para os da Série B.
O controle de gastos com elencos também entra em vigor gradualmente: até 2029, as despesas com jogadores não poderão ultrapassar 70% das receitas na Série A e 80% na Série B.
Outro eixo é a capacidade de endividamento de curto prazo, que será limitada a 45% das receitas relevantes a partir de 2030, com etapas intermediárias em 2028 e 2029.
Punições
A CBF prevê punições que vão de advertências públicas a multas, retenção de receitas, transfer ban, perda de pontos, rebaixamento e cassação de licença. Para dirigentes, as penalidades incluem suspensão, proibição de atuar no futebol e até banimento. Poderá haver Acordo de Ajustamento de Conduta como alternativa às sanções mais severas.
Com a nova regulamentação, a CBF pretende inaugurar uma fase de responsabilidade financeira inédita no futebol brasileiro, alinhada às práticas internacionais e voltada para a estabilidade do esporte no país.



