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Anuncia no rádio e não teve retorno? Ikeda comenta

Planejamento, estratégia e escolha do público são mais decisivos que o preço na hora de anunciar.
Foto: ilustração

Como escrevi na minha coluna anterior, anunciar no rádio continua sendo um bom negócio. E quem anuncia sabendo onde e como anunciar, tem êxito e pode dar um depoimento nesse sentido e compartilhar sobre resultados. Quem, porém, anuncia considerando, apenas, o “menor preço” por inserção, talvez não tenha o resultado esperado. E adianto: isso tem mais a ver com a falta de planejamento e estratégia e com a escolha incorreta do veículo de comunicação contratado por parte do anunciante, do que com a entrega por parte da emissora contratada para fortalecer uma marca, apresentar ou “vender” um produto.

Diferente do passado, quando havia um monopólio de mídia e a gente só dispunha de impresso, rádio e televisão para anunciar, hoje dispomos de outros meios para este fim e novos modelos de negócio, principalmente no digital. O modo de anunciar e chamar atenção do consumidor mudou. Portanto, querer alcançar resultados pagando, somente, por simples inserções de spots na programação e ignorando o tempo mínimo de divulgação, realmente, pode frustrar as expectativas de quem não tem experiência, não planeja campanhas e nem sabe onde investir. E embora eu entenda a frustração do cliente, ela não é justificativa para culpar uma rádio ou canal por uma campanha improvisada.

PERGUNTAR NÃO OFENDE: o que você tem considerado na hora de anunciar o seu produto – preço, horário, conteúdo, público…? Fecha contrato de no mínimo seis meses para alcançar um retorno melhor do investimento ou quer ter vantagem com apenas três meses de anúncio? Paga por exclusividade, por exemplo; ou aceita dividir o ‘mesmo espaço’ com outro anunciante do mesmo segmento no horário, como ocorre? Investe em boas ideias, bons textos, vozes influentes, ou gasta com produções de baixo nível…? Está disposto a pagar por uma consultoria?

UM CASO REAL: Determinada marca de perfume e cosméticos anunciava numa emissora cuja audiência tinha, de fato, o perfil de quem consome o produto. O custo pelo espaço era um pouco mais do que o cobrado pela concorrente. De repente, o anunciante suspendeu a divulgação para “enxugar custos” e quando voltou ao ar, fez contrato pagando menos com outro veículo, cujo programa “populesco” era feito para outro público. O resultado? Prejuízo.

Se hoje conseguir ‘prender’ a atenção da audiência já é um desafio – tanto para quem trabalha na mídia tradicional quanto na digital -, imagine chamar atenção de um público que não tem a ver com o seu negócio ou produto… (!) Assim, quando pensar em anunciar considerando o menor preço, lembre-se: “o barato pode sair caro” por falta de orientação profissional, planejamento, estratégia, conteúdo, público, consumo…

Aos canais de mídia, fica a dica: estejam junto e orientem seus clientes, já que muitos deles, geralmente, chegam sem vínculo com agências de publicidade. Se o faturamento é necessário para ambos e o canal não se importa em garantir que o anunciante tenha uma boa experiência, corre o risco de perder o parceiro para a concorrência. Eu aproveito e dou algumas orientações básicas, sobretudo para quem pretende ou já anuncia no rádio.

Antes de fechar contrato com um veículo, conheça o seu produto e o nicho de consumo. Em seguida, mapeie as “praças” onde seu público está em determinada região. Depois, ouça e analise os meios de comunicação que falam para essa audiência, avalie sua cobertura, o segmento desses veículos, números de audiência e o conteúdo, no qual a marca ou produto estará alinhada. Feito isto, defina estratégias e invista.

Quem anuncia, vende mais! E o tipo de campanha e como ela é executada conta muito para o seu sucesso. O produto pode ser o mesmo, mas a forma de comunicar muda conforme o meio – o que foi, estrategicamente, pensado para o rádio, por exemplo, nem sempre poderá ser replicado no digital e vice-versa…

Eu costumo dizer que se o cliente tem recursos e quer ter um resultado mais rápido e satisfatório, que invista em todos os meios possíveis – rádio, TV, impresso, digital (redes sociais e youtube) e “mídia rápida” (outdoor, telões de led…) Todos funcionam, desde que a campanha seja pensada e planejada com linguagem própria para meio.

Por fim, já que o rádio está no centro do nosso debate, quero encerrar afirmando que é importante que as emissoras disponham de opções de ativação e novos espaços, numa proposta “hibrida”, indo além das conhecidas inserções e testemunhais ao vivo durante os programas. O faturamento delas depende disso. O dos clientes também. #Opinião


Ikeda Gomes – Radialista, jornalista, geógrafo e radioamador. Há 22 anos dá voz à Guarabira FM como locutor. Também assina um blog de notícias e opinião, onde escreve sobre Comunicação, Política, Cultura e Vida.

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