
Parecia cena de filme, de tão improvável. Solitário num restaurante simples na BR-230, na minha República de Marizópolis, pensava duas vezes antes de apertar a tecla e publicar os dados da pesquisa no Portal MaisPB. Sabia que caíriam como uma bomba. E caíram. Era a primeira vez que Lucélio Cartaxo (PV) aparecia em segundo, lugar até então de Zé Maranhão. Mas não era essa a única novidade. João Azevêdo disparara soberano.
Recordo, minutos após, a ligação do deputado Marcondes Gadelha perguntando: “Esses números são confiáveis”? Depois da minha resposta, a sentença: “Então, desse jeito, não vai ter segundo turno”, balbuciou o experiente parlamentar da oposição. Depois de Gadelha, o telefone choveu de mensagens. Semanas depois, a urna confirmaria a projeção da pesquisa e o lamento de Marcondes. A eleição de 2018 terminava no primeiro turno com o triunfo de João, o sucessor de Ricardo Coutinho.
Oito anos depois, a pergunta voltou a rondar a ágora paraibana, após o Sistema Paraíba de Comunicação divulgar a rodada inicial da pesquisa Quaest. Nela, pela primeira vez a hipótese de um dos candidatos superar os 50% entrou no radar. Não de torcida de militância ou euforia de aliado. Como estatística científica de acreditado instituto nacional.
A Quaest trouxe o governador Lucas Ribeiro (PP) com 38% das intenções de voto, Cícero Lucena (MDB) se esgueirando em 19% e vendo no retrovisor Efraim Filho (PL) fungando no seu cangote, com 18%. E um travo a mais para as campanhas dos candidatos da oposição: ambos acumulam 46% de rejeição frente a um adversário com menos da metade, 22%.
A conclusão lógica sugere que Cícero e Efraim parecem estar batendo no teto, enquanto o governador e candidato à reeleição – já namorando a casa dos 50% dos votos válidos – tem margem e espaço para crescimento. Uma bomba no colo da oposição? Sim, mas não deveria surpreender. Lucena acumula desgastes recentes e não fez uma gestão que causasse suspiros em João Pessoa. Efraim Filho agarrou-se ao bolsonarismo, que, na Paraíba, tem mais ônus que bônus.
Já Lucas Ribeiro é o candidato bafejado pela aprovação popular do governo João, o grande cabo eleitoral desse processo. Some-se isso ao sentimento de continuidade e a surpreendente desenvoltura pessoal do governador nas ruas, nas redes e nos debates. A grande dianteira aberta por ele empurra Cícero e Efraim, bem atrás e tecnicamente empatados, ao drama da disputa pela honrosa segunda colocação no 1º turno. Porque, depois dessa pesquisa, o que era certeza passou à dúvida. E uma pergunta se impôs: tem ou não tem 2º turno na Paraíba? Eis a questão da Quaest.



