A Rússia declarou nesta terça-feira (3), que o fim do Tratado New START, que regula o controle de armas nucleares com os Estados Unidos, representaria um impacto negativo significativo na segurança global. Paralelamente, o governo russo afirmou estar preparado para um “novo cenário” sem restrições referentes a armas nucleares.
O New START é um acordo que delimita o número de armamentos das duas principais potências nucleares, Rússia e EUA, ambas com arsenais superiores a cinco mil ogivas nucleares. Vigente desde 2010, o tratado está prestes a expirar nesta quinta-feira, caso um novo entendimento entre os países não seja alcançado, algo que atualmente não demonstra sinais concretos de se concretizar.
De acordo com Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, o fim do New START poderia intensificar os riscos globais em curto prazo. Ele ressaltou que, sem a prorrogação dos limites estipulados pelo acordo, o mundo entraria rapidamente em uma situação mais perigosa.
Peskov também destacou que até agora não houve resposta formal da Casa Branca à proposta do presidente Vladimir Putin de estender informalmente por mais um ano os compromissos do tratado. Apesar disso, segundo informações do vice-ministro das Relações Exteriores, Sergey Ryabkov, a Rússia não pretende registrar nenhum protesto oficial contra os EUA no que diz respeito ao término do acordo.
Enquanto isso, Ryabkov reforçou que o país se encontra preparado para atuar em uma nova dinâmica global sem limites para armas nucleares. Ele ainda destacou que a tríade nuclear russa — sistemas capazes de lançar armamentos por terra, ar e mar — está passando por um processo avançado de modernização.
Ele afirmou que essa situação já era prevista e argumentou que não há motivo para superdimensionar a gravidade do momento atual. No entanto, ele reconheceu que o desmantelamento das estruturas estabilizadoras de segurança global representa um marco importante. “Este é um momento de transição para uma nova realidade, e estamos prontos para lidar com ela”, comentou Ryabkov.
Apesar da postura assertiva, o vice-chanceler enfatizou que o país não pretende cair em “provocações” que iniciem uma corrida armamentista nuclear. Ainda assim, alertou que qualquer aumento substancial nos sistemas de defesa antimísseis dos Estados Unidos na região da Groenlândia exigirá uma resposta compatível por parte da Rússia.
A declaração contrasta em parte com falas anteriores do presidente Putin. Em outubro, ele afirmou que uma nova corrida armamentista já estava em curso e indicou a disposição da Rússia em realizar testes nucleares como contrapartida às ações de seus adversários.
O vencimento iminente do Tratado New START reflete as tensões persistentes entre Washington e Moscou, que permaneceram altas até 2025 apesar de encontros simbólicos entre Donald Trump e Vladimir Putin e da retórica amistosa do ex-presidente americano em relação ao líder russo.
Em meio ao cenário global, Ryabkov se encontra em Pequim esta semana para discutir questões de estabilidade estratégica com autoridades chinesas. Nos últimos anos, Rússia e China têm fortalecido sua aliança estratégica diante do aumento da hostilidade em discursos e ações promovidos pelos Estados Unidos contra ambos os países.



