A Quaresma nos convida a redescobrir a esperança entre silêncios e pequenas renúncias.
A Quaresma não se impõe — propõe.
Ela nos chama. É como uma brisa que toca a alma e nos lembra que viver não é apenas correr atrás dos dias, mas dar sentido a cada passo.
A Quaresma começou no dia 18 de fevereiro de 2026, na Quarta-feira de Cinzas até o dia 2 de abril de 2026, na Quinta-feira Santa.
E logo na abertura desse caminho, a liturgia nos recorda:
“Porque tu és pó e ao pó hás de voltar”. (Gn 3:19).
Inspirada nos 40 dias que Jesus Cristo passou no deserto, a Quaresma é tempo de preparação, de revisão de rota e de reencontro com o essencial.
E esse caminho se sustenta em três pilares: a oração, o jejum e a esmola ou caridade.
Oração: encontro que transforma
A oração é mais do que palavras pronunciadas, é o momento em que silenciamos o ruído exterior para escutar o que Deus quer dizer ao nosso coração.
Na Quaresma, somos convidados a aprofundar essa intimidade: reservar tempo, meditar na Palavra, rever prioridades. A oração nos alinha, nos fortalece e nos lembra que não caminhamos sozinhos.
“Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai que está no escondido. E o teu pai, que vê no escondido, te dará a recompensa”. (Mt 6:6)
Jejum: disciplina com propósito
O jejum não é apenas privação alimentar. Jejuar é aprender a dizer “não” para aquilo que nos atormenta, nos domina, nos aprisiona, para dizer “sim” ao que realmente importa. O jejum deve ser também de palavras que magoam, de julgamentos injustos e de impaciência. Ele nos ensina o equilíbrio, nos torna mais conscientes, mais sensíveis à dor do outro e mais abertos à partilha.
“Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que os outros não vejam que estás jejuando, mas somente teu Pai, que está escondido. E o teu Pai, que vê no escondido, te dará a recompensa”. (Mt 6:17)
Caridade: solidariedade que aproxima
A esmola ou caridade é o gesto concreto da palavra que sai do discurso e se transforma em ação. Não se trata apenas de oferecer recursos materiais, mas de partilhar atenção, cuidado e escuta.
A caridade nos aproxima dos nossos irmãos, nos humaniza, nos torna mais solidários.
“Por isso, quando deres esmola, não mandes tocar a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos outros. Em verdade vos digo: já receberam sua recompensa. Tu, porém, quando deres esmola, não saiba tua mão esquerda o que faz a direita, de modo que tua esmola fique escondida. E o teu Pai, que vê no escondido, te dará a recompensa”. (Mt 6: 2-4)
Os três pilares caminham juntos. A oração nos aproxima de Deus. O jejum nos conecta com o divino. A caridade nos aproxima dos nossos irmãos.
A Quaresma é um tempo de propósitos e um caminho de esperança!
Entre silêncios e pequenas renúncias descobrimos que a verdadeira transformação começa no nosso interior e se revela na forma como amamos o próximo e, ao chegarmos no final da dessa travessia, que começa nas cinzas e culmina na promessa da ressurreição não seremos mais os mesmos e, perceberemos que a mudança aconteceu não apenas no nosso coração, mas na nossa vida. Teremos aprendido a silenciar para escutar melhor, a renunciar para amar com mais lealdade, a partilhar para viver com mais sentido.
Quem viver verdadeiramente a Quaresma descobrirá que cada pequeno gesto, cada pedido, cada sacrifício prepara o terreno para algo maior: uma fé mais forte, um olhar mais compassivo e fraterno para nossos irmãos e um coração à imagem e semelhança de Jesus Cristo.
Que essa caminhada nos fortaleça e nos recorde a promessa de Deus:
“Aproximemo-nos, portanto, de coração sincero e cheio de fé, com o coração purificado de toda a má consciência e o corpo lavado com água pura. Continuemos a afirmar a nossa esperança, sem esmorecer, porque Deus é fiel para cumprir”. (Hb 10:22-23).
Assim seja!



