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Paciente com câncer de próstata precisa ser acompanhado por cardiologista

Valério Vasconcelos - Foto: Divulgação/Rizemberg Felipe
Valério Vasconcelos - Foto: Divulgação/Rizemberg Felipe

O câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma) e também exige atenção para a saúde do coração. Isso mesmo: as doenças cardiovasculares nos pacientes com câncer de próstata são cada vez mais frequentes e representam a causa de morte não-oncológica mais comum nesse público.

Ao longo do tempo, o paradigma em relação ao prognóstico do paciente oncológico mudou, pois houve avanços na terapêutica oncológica, com consequente aumento da sobrevida dos indivíduos. Assim, atualmente, o paciente com câncer é visto como um portador de uma doença crônica, com possibilidade de maior qualidade de vida, mas que também pode apresentar descompensações agudas durante sua evolução, a exemplo de manifestações cardiovasculares.

Nas últimas décadas, os progressos no tratamento oncológico também resultaram na maior exposição dos pacientes a fatores de risco cardiovasculares bem como à radioterapia, à quimioterapia e à imunoterapia com potencial de cardiotoxicidade. Inclusive, estudos clínicos têm mostrado maior risco de complicações cardiovasculares, como infarto, ao longo do tratamento do câncer de próstata.

Definição de terapias adequadas

Estima-se que cerca de 30% dos pacientes com câncer de próstata tenham doenças cardiovasculares associadas, e a maioria também apresenta múltiplos fatores de risco cardíaco. Além disso, o tratamento anti-hormonal contra o câncer de próstata pode potencializar fatores de risco pré-existentes e até mesmo induzir a ocorrência da síndrome metabólica e de doenças cardiovasculares.

O tratamento anti-hormonal (ou terapia de privação androgênica) consiste na redução dos níveis do hormônio testosterona por meio de medicamentos. Estudos clínicos têm mostrado maior risco de complicações cardiovasculares, como infarto, ao longo do tratamento do câncer de próstata.

Considerando os efeitos da terapia anti-hormonal no sistema cardiovascular, se faz necessário um acompanhamento com um cardiologista desde o início do diagnóstico do câncer para que se possa estabelecer metas de prevenção cardiovascular, além de realizar diagnóstico precoce e instituir terapias adequadas na presença de complicações.

É bom ressaltar: indivíduos com câncer de próstata precisam de avaliação e acompanhamento de um cardiologista desde o início do tratamento! Tal especialista irá atuar na prevenção, no diagnóstico adequado e no tratamento das doenças cardiovasculares. O trabalho em conjunto do oncologista e do cardiologista corrobora para o aumento da sobrevida e da qualidade de vida dos pacientes oncológicos.


Valério Vasconcelos é doutor em cardiologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, pesquisador e escritor. Médico pesquisador no Instituto do Coração da Faculdade de Medicina da USP (InCor/FMUSP).
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