A recente rejeição de Jorge Messias pelo Senado, capitaneada por Davi Alcolumbre, expõe a face mais crua do fisiologismo que dita o ritmo de Brasília. Embora Messias reunisse as qualificações técnicas e o currículo necessários para o cargo, sua indicação sucumbiu ao “fator político”, tornando-se refém de um calendário de interesses que ignora o mérito em favor do poder. O episódio deixa claro que, no Congresso atual, ser o nome certo não basta se o momento não servir como moeda de troca para as ambições da cúpula legislativa.
Surge, então, o questionamento inevitável sobre a autoridade moral de Alcolumbre e de uma classe política desgastada para barrar nomes sob o pretexto de zelo institucional. É um contrassenso que figuras frequentemente envoltas em polêmicas e negociações de bastidores se coloquem como filtros éticos da República. Quando o escrutínio do Senado deixa de ser técnico para se transformar em um balcão de negócios, a moralidade invocada nos discursos públicos não passa de uma cortina de fumaça para o jogo de influência pessoal.
Esse divórcio entre os ritos de poder e o interesse público aprofunda o abismo de descrédito que separa a população das instituições. Em um momento em que o respaldo popular às casas legislativas é minguante, usar prerrogativas constitucionais como armas de retaliação política apenas corrói a democracia. Ao barrar Messias por conveniência, o Senado não protege o Estado; ao contrário, reafirma a percepção de que a política brasileira transformou o interesse nacional em um mero detalhe descartável em suas disputas particulares.



