
A minha mãe partiu para a eternidade no dia 21 de dezembro de 2023, às 7h05. Era uma manhã ensolarada, em que o sol mostrava a sua majestade. Eu me encaminhava para o hospital com o meu primogênito para mais um dia ao seu lado; era o décimo primeiro dia desde a sua hospitalização. Ao atender o telefone, ouvi a notícia de que você já não estava entre nós; a sua missão aqui na Terra estava cumprida.
A minha mãe, Maria da Solidade Santos, para os íntimos D. Dadinha, para mim mamãe, estava ao lado do Senhor Jesus Cristo. Começava a Via Crucis da ausência, da separação, da dor.
Quando a mãe se vai, a casa nunca mais é a mesma: o cheiro do café perde a doçura, a comida esfria na mesa, a cadeira fica vazia.
Recordar você, minha mãe, é ouvir sua voz me chamando, é sentir as suas mãos me afagando, é lembrar dos seus conselhos e até das suas broncas. Recordar você é reviver os seus gestos de carinho, de amor e de alegria. É ouvir sua voz levando o Evangelho às casas mais simples, semeando a esperança para aqueles que mais precisavam.
Devota de São Francisco de Assis, o padroeiro dos animais, da natureza e do meio ambiente, conhecido como protetor dos pobres e fundador da Ordem Franciscana Secular, você se tornou franciscana e fundadora da Ordem Franciscana Secular de Mamanguape, Rio Tinto e Itapororoca.
A minha mãe foi uma seguidora de São Francisco de Assis. A exemplo do santo de sua devoção, viveu uma vida simples e acreditava que a verdadeira riqueza era amar e servir ao próximo. Suas mãos, que tanto trabalharam, eram também mãos de acariciar, de cuidar, de abraçar. Em sua fé, deixou-nos o exemplo de que a maior herança não está nos bens materiais que uma pessoa possui, mas na bondade que semeamos pela vida.
Vivo uma saudade silenciosa que não é dor; ela é a prova de que o seu, o nosso amor foi verdadeiro, profundo e eterno.
Assim, renasce em mim a esperança confirmada pela Sagrada Escritura:
“E Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor.” (Apocalipse 21:4)
E o coração encontra consolo: se a ausência pesa, a esperança sustenta. E, na imensa saudade que sinto, lembro-me das palavras do Senhor Jesus Cristo:
“Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá.” (João 11:25)
Olho para o céu, certa de que um dia haverá um reencontro e, até lá, vivo com gratidão a Deus por permiti-la estar entre nós durante 97 anos, porque ser sua filha é carregar, com orgulho, o seu exemplo e os seus ensinamentos para a vida.
Sim, a saudade permanece silenciosa, como um sussurro de um amor incondicional. Cada pensamento, cada sentimento, cada memória de quem amamos vive dentro de nós — em ternura, em doçura, em nossas memórias afetivas.
Saudades de você, minha mãe!
Descanse em paz! Te amo infinitamente!



