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O espelho do tempo

O espelho nos revela mais do que um rosto envelhecido, ele reflete a nossa história.

Entre rugas e memórias, descobrimos que a vida não se perde com o tempo. Com o tempo, o corpo desacelera, o passo pede calma, os olhos procuram os óculos, o rosto ganha marcas que antes não existiam. Com o tempo, as memórias afetivas se entrelaçam ao envelhecer — aquela mistura de lembranças doces e saudades de um tempo que já se foi. Essas memórias aparecem como um lugar de resistência onde as nossas histórias se entrelaçam com outras histórias como uma coleção de pequenos tesouros.

O espelho nos revela mais do que um rosto envelhecido, ele reflete a nossa história. Cada ruga é um registro silencioso do tempo passado, das alegrias que vivenciamos, dos encontros e despedidas que marcaram a nossa vida. Essas marcas caminham lado a lado com as nossas memórias afetivas: cheiros que nos lembram a infância, risadas das coisas simples da adolescência e gestos que aquecem o nosso coração de adultos. É nesse encontro do passado e do presente que começamos a compreender e valorizar cada instante vivido.

Em sua poesia e prosa, a escritora Cora Coralina, que escreveu o seu primeiro livro aos 75 anos de idade, valoriza o passado vivido, onde cada lembrança é uma flor plantada no caminho. “Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores.” E essa é a essência da velhice.

Para a escritora Lygia Fagundes Telles: “As lembranças são como a brisa da tarde: não voltam, mas refrescam a alma de quem as guarda.” Para ela, o corpo pode enfraquecer, mas as lembranças se tornam companhia. São elas que fazem a velhice mais fácil de ser suportada.

E assim, “entre rugas e memórias”, percebemos que cada marca conta uma história, e cada lembrança aquece nossa alma. As rugas mostram que vivemos, as lembranças mostram que amamos e, entre elas, a vida se torna preciosa.

E assim, compreendemos que as rugas não são apenas sinais do tempo, e que as memórias não existem apenas no passado. Juntas, nos lembram que cada momento vivido valeu a pena, e a vida se faz completa quando conseguimos guardar com carinho as histórias que o coração não esquece.

Entre rugas e memórias, a vida se revela incrível. Simples assim!


Fátima Lelis – Antropóloga Social, rotariana e acadêmica da Associação Brasileira Rotária de Letras – Seção Paraíba (ABROL-PB). Conselheira do Conselho da Pessoa Idosa de Mamanguape e apresentadora do programa Direto ao Ponto, na Rádio Correio do Vale 94.1 FM.

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