
Há quem veja na política apenas o protocolo das agendas oficiais, mas é no tilintar de talheres e no calor dos bastidores que o verdadeiro poder se desenha. O recente jantar oferecido pelo prefeito de Mamanguape, Joaquim Fernandes, por ocasião da visita do governador Lucas Ribeiro, foi menos um ato de cortesia e mais uma ostensiva demonstração de musculatura política.
O cenário escolhido para o encontro não foi um gabinete frio, mas a residência do empresário Napoleão Rodrigues, do Açaímix Brazil, em Salema. O simbolismo é duplo: une o PIB local à engrenagem partidária, sob a brisa litorânea que costuma suavizar as negociações mais duras. Ali, Joaquim não apenas recepcionou o chefe do Executivo estadual; ele demarcou território e se consolidou como o principal polo de gravitação política do Vale.
A lista de convidados operou como uma espécie de “quem é quem” da geopolítica regional. Estavam lá a deputada estadual Danielle do Vale — cuja presença chancela o alinhamento com a Assembleia — e um impressionante ecossistema de prefeitos que, em tese, respondem a dinâmicas locais próprias, mas que ali orbitavam o mesmo centro de gravidade.
A presença de gestores como Michelle Ribeiro (Pedro Régis), Camaf Douglas (Lagoa de Dentro), Índia Ninha (Marcação), Adjamir Souza (Curral de Cima), Helhinho Souza (Cuité de Mamanguape), Magna Gerbasi (Rio Tinto), Carlyanne Borba (Capim), Eymard (Mataraca), Luiz Machado (Serra da Raiz) e o vice-prefeito João Ribeiro (Jacaraú), além de uma bancada expressiva de vereadores e ex-mandatários, revela uma engenharia de alianças que não se constrói do dia para o outro.
Em política, a fotografia é o próprio fato. Ao sentar à mesa com o governador e costurar essa frente ampla de prefeitos, Joaquim Fernandes envia um recado explícito ao Palácio da Redenção: o Vale do Mamanguape tem dono, tem interlocutor e cobra um pedágio alto em termos de investimentos e atenção institucional.
O discurso oficial, compreensivelmente, veste o figurino do “desenvolvimento regional” e da “melhoria da qualidade de vida”. São os eufemismos padrão para o pragmatismo das emendas e das obras estruturantes. No entanto, o que se viu em Salema foi o ensaio geral de um bloco que pretende jogar pesado nas próximas rodadas sucessórias.
Resta saber como o governador Lucas Ribeiro digerirá o banquete: se como um apoio sólido para o futuro ou como a constatação de que, no Vale, o Executivo estadual lida com um consórcio de forças muito bem articulado e liderado por um prefeito que aprendeu rápido as regras do jogo de xadrez de alta voltagem.



