Mamanguape está construindo uma iniciativa voltada à preparação de gestores e trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS) para o uso responsável de inteligência artificial, análise de dados e novas tecnologias. O projeto, planejado pelo secretário municipal de Saúde, Neto da Saúde, desde fevereiro, conta com o apoio do prefeito Joaquim Fernandes e é desenvolvido com fomento do programa Proadi-SUS, em parceria com a Sociedade Brasileira de Cardiologia e colaboração de secretários de Saúde de São Paulo e Minas Gerais.
Batizada de IA-SUS, a proposta busca desenvolver o letramento digital das equipes e criar uma experiência municipal de aplicação da inteligência artificial à gestão pública. A ideia é capacitar os profissionais não apenas para utilizar ferramentas tecnológicas, mas também para analisar informações, formular perguntas, avaliar respostas e transformar dados em decisões mais eficientes.
Segundo a proposta, a inteligência artificial não deve substituir o gestor, mas ampliar sua capacidade de análise e planejamento. A tecnologia poderá auxiliar na organização de informações, identificação de padrões, avaliação de cenários, formulação de hipóteses e apoio à tomada de decisões.
Um dos principais desafios apontados pelo projeto é transformar o grande volume de dados produzidos pelo SUS em conhecimento capaz de orientar ações concretas. Para isso, os profissionais precisam compreender tanto as possibilidades quanto as limitações das ferramentas de inteligência artificial, incluindo o risco de respostas incorretas e a necessidade de validação humana.
A iniciativa também defende que qualquer utilização de IA na saúde pública deve respeitar os princípios do SUS, a ética profissional, a proteção de dados e as normas da administração pública. A tecnologia não deverá determinar, sozinha, decisões relacionadas a usuários ou trabalhadores.
A aposta de Mamanguape é desenvolver um modelo que possa ser documentado, avaliado e compartilhado com outros municípios. A experiência poderá reunir metodologias, capacitações, ferramentas e resultados capazes de servir de referência para cidades que enfrentam desafios semelhantes, especialmente aquelas que não dispõem da estrutura tecnológica existente nos grandes centros.
Para a gestão municipal, preparar as equipes é tão importante quanto modernizar os sistemas. Com o crescimento do uso de dados, indicadores e tecnologias digitais na saúde, o objetivo é fazer com que a transformação digital aconteça também entre as pessoas que atuam diariamente nos serviços.
A proposta prevê registrar desafios e aprendizados, medir resultados e identificar o que funcionou ou não ao longo do processo. Dessa forma, Mamanguape pretende transformar a experiência em conhecimento institucional e contribuir para o debate sobre o futuro da inteligência artificial no SUS.
A iniciativa parte de uma premissa central: o futuro da tecnologia na saúde pública não será construído apenas por especialistas em informática, mas também por médicos, enfermeiros, dentistas, agentes comunitários, técnicos, gestores, profissionais administrativos e todos aqueles que conhecem a realidade dos serviços.
Mais do que apresentar respostas prontas, o projeto pretende preparar os profissionais para fazer perguntas melhores, utilizar os dados de forma mais qualificada e tomar decisões mais seguras e adequadas à realidade do município.



