O jovem identificado como Gerson de Melo Machado, de 19 anos, conhecido como “Vaqueirinho”, morto após invadir o recinto de uma leoa no Parque Arruda Câmara (Bica), em João Pessoa, na manhã deste domingo (30), tinha um longo histórico de vulnerabilidade social e ausência de assistência psiquiátrica adequada.
De acordo com o Conselho Tutelar de Mangabeira, Gerson acumulava cerca de 16 passagens pela polícia e era acompanhado pelo órgão desde os 10 anos. A família do jovem também enfrentava dificuldades: a mãe perdeu a guarda dele e de mais quatro irmãos por incapacidade, em razão de esquizofrenia grave.
A conselheira tutelar Verônica de Oliveira informou que o jovem apresentava sinais de transtornos psiquiátricos desde a infância, mas nunca recebeu o laudo e o tratamento necessários do Estado. O diagnóstico só veio anos depois, quando ele ingressou no sistema socioeducativo. Ainda segundo Verônica, Gerson relatava que sonhava em participar de um safari na África, onde “domaria leões”.
Para acessar a área do animal, o jovem escalou uma parede de aproximadamente seis metros, ultrapassou a cerca de segurança e desceu por um coqueiro até chegar ao local onde a leoa estava. Ele foi atacado e morreu ainda no recinto.
Após o incidente, o Parque Arruda Câmara foi fechado para visitação até a conclusão das investigações. Em nota, a direção da Bica informou que os protocolos de segurança envolvendo a leoa foram imediatamente adotados e reforçou que o sacrifício do animal “nunca foi cogitado”.



