O professor indígena Rodolfo Ybytuguasu (TILIS), da etnia Potiguara e docente da Escola Estadual Indígena de Ensino Fundamental e Médio Dr. José Lopes Ribeiro, em Rio Tinto, foi convocado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para atuar como intérprete de Línguas Indígenas de Sinais durante as audiências públicas que discutem as resoluções das Eleições Gerais de 2026. A participação ocorreu a partir de indicação do Grupo de Trabalho das Línguas Indígenas de Sinais (GT-LIS), do qual o educador faz parte.
Em entrevista ao Blog Lenilson Balla, Rodolfo destacou o caráter histórico da iniciativa, que, pela primeira vez, garante aos indígenas surdos o acesso às discussões eleitorais em suas próprias línguas. Ao lado da intérprete Daniela Mendes (TILIS), da etnia Kaingang, ele realizou traduções presenciais das audiências, possibilitando que conteúdos debatidos no TSE chegassem aos povos originários sem perda de informação.
Além das Línguas Indígenas de Sinais (LIS), as audiências também contaram com tradução simultânea para línguas indígenas orais, como Tikuna, Kaingang e Yaathe, do povo Fulni-ô, de Pernambuco. A medida é uma iniciativa do vice-presidente do TSE e relator das resoluções do pleito, ministro Nunes Marques, e tem transmissão ao vivo, por língua indígena, no canal oficial do TSE no YouTube.
Segundo Rodolfo, a ação representa um avanço significativo na garantia de direitos e no fortalecimento cultural e linguístico dos povos indígenas. “É uma conquista coletiva, que fortalece nossa cidadania e assegura que o ato democrático de votar e escolher representantes seja plenamente compreendido em nossa língua materna”, afirmou.
A escolha das línguas envolvidas considerou critérios como número de falantes, vitalidade linguística e abrangência territorial. Dados do Censo 2022 do IBGE apontam que o Brasil possui 391 etnias e 295 línguas indígenas, sendo Tikuna e Kaingang algumas das mais faladas no país. As audiências públicas ocorrem de 3 a 5 de fevereiro, em formato híbrido, na sede do TSE, em Brasília.
Para o professor Potiguara, a experiência simboliza não apenas um marco institucional, mas também um passo importante para que, no futuro, mais etnias tenham acesso às informações eleitorais em suas próprias línguas. “É um momento grandioso e histórico, que mostra que precisamos sempre avançar e lutar pelo que é direito nosso”, concluiu.



