O anúncio de uma nova tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros provocou um novo confronto político entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A polêmica ganhou força após a divulgação de que o parlamentar encaminhou uma manifestação ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos solicitando o adiamento, por 180 dias, da entrada em vigor das novas tarifas, para que a medida fosse aplicada apenas após as eleições brasileiras.
No documento, com 86 páginas, Flávio Bolsonaro argumenta que a sobretaxa imposta pelo governo norte-americano acabou produzindo efeito contrário ao esperado, fortalecendo politicamente o governo Lula. Para sustentar a tese, o senador cita pesquisas eleitorais que, segundo ele, indicam que a pressão comercial dos Estados Unidos impulsionou a popularidade do atual governo.
O presidente Lula reagiu duramente ao pedido do adversário político. Em declaração pública, afirmou que o Brasil “não está à venda” e classificou a postura do senador como uma atitude típica de “traidores da Pátria”.
O chefe do Executivo também responsabilizou a família Bolsonaro pelo agravamento da crise diplomática e comercial entre Brasil e Estados Unidos, afirmando que seus integrantes defenderam publicamente o aumento das tarifas contra o país. Lula reforçou ainda que nunca houve justificativa para a imposição de taxas sobre produtos brasileiros.
Enquanto o embate político se intensificava, representantes do governo brasileiro participaram de uma reunião virtual com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, para discutir alternativas para a questão tarifária.
Segundo o governo, o Brasil mantém disposição para negociar temas como o acesso do etanol norte-americano ao mercado brasileiro, mas reafirma que não aceitará incluir o PIX nas negociações comerciais.



