Os Estados Unidos anunciaram a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A decisão foi divulgada pelo Departamento de Estado norte-americano, que passou a identificar as facções brasileiras como “terroristas globais especialmente designados” e também como “organizações terroristas estrangeiras”.
Ao justificar a medida, o governo dos EUA afirmou que o PCC e o CV estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil, destacando que a atuação dos grupos ultrapassa as fronteiras brasileiras e alcança outros países da América Latina, além do território norte-americano.
Segundo o governo do presidente Donald Trump, a decisão faz parte da estratégia de combate a cartéis e organizações criminosas transnacionais na região.
A medida provocou reação do governo brasileiro. O assessor especial para assuntos internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Celso Amorim, afirmou que o combate ao crime organizado é necessário, mas ressaltou que a segurança pública é um tema de soberania nacional.
“Cooperação internacional é bem-vinda, mas pretexto para intervenção é inaceitável”, declarou Amorim.
O anúncio ocorreu um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e dois dias depois de um encontro do parlamentar com Donald Trump na Casa Branca.
Após a divulgação da decisão, Flávio Bolsonaro comentou nas redes sociais: “Grande dia”.
Nos bastidores, integrantes do governo Lula vinham tentando evitar que os Estados Unidos adotassem a classificação das facções brasileiras como organizações terroristas.



