Em uma guinada surpreendente no cenário judicial e diplomático internacional, o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou de acusar Nicolás Maduro de liderar o suposto “Cartel de Los Soles” — uma das peças centrais da acusação que motivou a recente captura do líder venezuelano por forças norte-americanas em Caracas.
Segundo documentos revisados pelo Departamento de Justiça dos EUA, o termo Cartel de Los Soles é agora tratado não como uma organização criminosa formal comandada por Maduro, mas como um “sistema de clientelismo e cultura de corrupção alimentados pelo tráfico de drogas”. A acusação atualizada abandona explicitamente a ideia de que Maduro era o chefe do cartel, mantendo apenas acusações de corrupção e conspiração para o tráfico de drogas.
Negociações de petróleo entre Caracas e Washington
Em paralelo ao revés judicial, fontes governamentais e da indústria confirmam que Caracas e Washington já estão em negociações para retomar a exportação de petróleo venezuelano para as refinarias americanas. Autoridades revelaram à agência Reuters que as discussões podem resultar no redirecionamento de cargas originalmente destinadas à China, em meio ao bloqueio às exportações imposto pelos EUA — uma das medidas que antecederam a operação contra Maduro.
Esse possível acordo surge no contexto de um interesse renovado dos Estados Unidos em aproveitar as enormes reservas petrolíferas da Venezuela, estimadas em cerca de 303 bilhões de barris, as maiores do mundo, e que historicamente abasteceram refinarias americanas especializadas em petróleo pesado.
Temores sobre a Groenlândia e reações internacionais
Enquanto o impasse judicial e energético se desenrola na América Latina, cresce a preocupação internacional em torno da Groenlândia. A Casa Branca confirmou que Trump e seus assessores estão discutindo opções para adquirir o vasto território — desde negociações diplomáticas até o uso das Forças Armadas, que “sempre permanecem uma opção” segundo fontes do governo americano.
A possibilidade de uma tentativa de aquisição ou mesmo intervenção militar em uma território que faz parte do Reino da Dinamarca e membro da Otan provocou forte reação dos países europeus. Líderes de nações como França, Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido emitiram declarações conjuntas em apoio à soberania dinamarquesa sobre a Groenlândia.
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, alertou que qualquer ataque militar dos EUA contra um país aliado seria “o fim da Otan”, destacando que a aliança se baseia na defesa mútua e que um ataque de um membro contra outro minaria os pilares do pacto.



