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CASO VAQUEIRINHO

Especialistas expõe falhas na saúde mental após tragédia na Bica

Debate no Programa Hora H aponta falhas nas políticas públicas, insuficiência do CAPS e reforça urgência no tratamento técnico.

“Nossa saúde mental precisa de socorro”. O grito de alerta foi do médico psiquiatra Tiago Nunes, durante debate com especialistas na noite dessa segunda-feira (1º), no Programa Hora H, da TV Norte Paraíba. O programa analisou o caso do jovem, de 19 anos, Gerson Melo, o “Vaqueirinho”, atacada e morto por uma leoa no Parque da Bica, após a invasão da jaula do animal.

“Precisamos rever as políticas públicas, o CAPS é um ótimo dispositivo, mas não é suficiente. Quem defende a ideia de que o CAPS vai dar conta das coisas, por favor, revejam. Não da pra tratar saúde mental com ideologia, a gente tem que tratar de forma técnica e tecnológica”, alertou Tiago Nunes.

O psiquiatra criticou a “grande desassistência em saúde mental”, depois da reforma psiquiatra e defendeu a reabertura de leitos de internação. “A lei antimanicomial não preconiza fechamento de hospitais, ele fala em fechamento de asilos.  Por que temos que fechar os leitos todos, por que não melhora? Hoje eu não tenho onde internar um paciente em surto. Hoje, ou as famílias tomam conta ou tem dinheiro para bancar ou então a gente fica num beco sem saída”, avaliou.

Tiago Nunes também abordou o problema da dependência química: “Não se pode romantizar a doença, que liberdade é essa que a pessoa está presa a droga. A gente precisa deixar de romantizar a doença mental. Ela precisa ser tratada. O que é de mais avançado não é utilizado, porque não é prioridade”.

O psicólogo Samuel Cavalcanti defendeu uma maior estruturação de saúde pública para diagnósticos e tratamento precoce. “É uma doença que não tem cura, mas tem tratamento. Procurem ajuda, que a gente venha aprender com esse momento. Que Gerson seja uma referência para não acontecer mais”, ressaltou.

O Programa Hora H também ouviu a opinião do presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV). Para José Cecílio, o papel do médico veterinário em casos como o da morte na jaula da leoa da Bica é insubstituível. O CRMV esteve no local verificando os protocolos de segurança e as medidas adotada para proteger o aninal. Ele lembrou que a leo Leona está em cativeiro há 19 anos, mas mesmo assim reagiu com seu instinto natural, na primeira situação de invasão do seu território.

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