A falta de planejamento e o endividamento cobram um preço que vai além do bolso dos brasileiros, gerando um forte impacto na saúde mental. Metade das famílias do país (50%) afirma que o dinheiro é um motivo frequente de estresse.
Os dados constam no Relatório de Cidadania Financeira, divulgado pelo Banco Central (BC). Segundo o estudo e especialistas ouvidos pela reportagem, o diagnóstico crônico do orçamento doméstico afeta diretamente a saúde física, a produtividade no trabalho, reduz a capacidade de poupança da população e encarece o custo do crédito no país.
Para o consultor financeiro Rogério Olegário, a reversão desse cenário exige uma mudança cultural profunda, cujo pilar central é a introdução da educação financeira ainda na infância.
“A educação financeira deve ser contínua e iniciada desde a primeira infância. Ela envolve exemplos de honestidade, paciência, capacidade de espera, colaboração e organização da vida como um todo”, afirma Olegário. “Um ponto importante é ajudar a desenvolver o senso de saciedade e de limites, sem excessos. A criança precisa aprender que nem sempre é necessário querer ou desejar tudo para ser feliz.”
O especialista destaca que permitir que os filhos resolvam problemas adequados à sua faixa etária estimula a autonomia, a criatividade e a tomada de decisões. Ele ressalta, contudo, que o papel dos responsáveis é o fator de maior peso no processo. “O exemplo dos pais é decisivo. As palavras convencem, mas os exemplos arrastam. Os pais devem buscar formação para ensinar pelo exemplo.”
No ambiente escolar, o conteúdo pedagógico pode complementar a formação dada em casa. A recomendação é que as instituições abordem temas transversais, como empreendedorismo, cooperação, trabalho em equipe e cidadania.



