O governo brasileiro e a Argentina viveram um novo episódio de tensão diplomática após declarações do presidente argentino, Javier Milei, durante o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). No evento, Milei fez duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem chamou de “ladrão” e “presidiário”, além de atacar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, chamando-o de “lixo careca”. O argentino também direcionou críticas ao governo brasileiro.
A primeira resposta oficial do Brasil veio por meio do Itamaraty. No domingo (26), o Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires para consultas em Brasília, medida considerada um gesto firme nas relações diplomáticas. Ao mesmo tempo, o governo brasileiro solicitou esclarecimentos ao embaixador da Argentina em Brasília sobre as declarações de Milei.
Nesta segunda-feira (27), a crise ganhou novos desdobramentos com a manifestação do ministro da Fazenda, Dario Durigan. Durante entrevista, o ministro afirmou que a economia brasileira apresenta desempenho superior à argentina e classificou Javier Milei como “palhaço”. Segundo informações de fontes do Itamaraty ouvidas pelo Blog do Valdo Cruz, a declaração não seguiu a estratégia de comunicação previamente alinhada entre a diplomacia brasileira e o Palácio do Planalto.
Questionado por jornalistas sobre as ofensas feitas pelo presidente argentino, Lula adotou um tom irônico e respondeu apenas: “Quem é esse cara?”. A declaração, feita no fim da tarde desta segunda-feira, em Brasília, foi a primeira manifestação pública do presidente brasileiro sobre o episódio, que amplia o desgaste nas relações entre os dois países.



