
Ao renunciar à Prefeitura para disputar o Palácio da Redenção, Cícero deixa o conforto da gestão municipal para enfrentar um embate direto pela hegemonia do grupo governista, hoje sob forte influência da ala liderada por Lucas Ribeiro.
O cenário político da Paraíba sofreu um solavanco definitivo na manhã desta quinta-feira (2). O prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), não apenas confirmou sua pré-candidatura ao Governo do Estado em 2026, como anunciou para próxima segunda-feira (6) a entrega das chaves da capital ao vice Léo Bezerra (PSB).
A leitura de bastidores revela uma estratégia de sobrevivência e afirmação. Ao colocar seu vasto currículo na mesa — de ex-governador a ministro —, ele tenta se impor como o sucessor natural de João Azevêdo. Contudo, o caminho não será um passeio no Altiplano.
O maior obstáculo de Cícero está dentro do próprio arco de alianças, onde o desafio é duplo: convencer que sua experiência pesa mais do que o fôlego juvenil e o crescimento do grupo de Lucas e do Progressistas, ele sinaliza que seu vice deve vir do bloco de aliados de Campina — citando indiretamente nomes como o de Diogo Cunha Lima. Cícero tenta uma manobra arriscada, atrair o eleitorado do interior para compensar a perda da “vitrine” da capital, se for o caso. É um movimento para tentar isolar o clã Ribeiro em seu próprio território.
Abandonar o mandato de prefeito faltando quase dois anos para o fim é um movimento de “tudo ou nada”. Se por um lado Léo Bezerra assume com a missão de manter o ritmo da gestão e garantir o apoio da capital, por outro, Cícero fica sem a caneta na mão, dependendo exclusivamente de sua capacidade de articulação política e da fidelidade de alguns.
Cícero aposta no recall de sua biografia. “Para alguns, pode parecer um ato de coragem, mas é um ato de fé”, afirmou o emedebista. Na prática, a “fé” de Cícero será testada pela pragmática política, em um estado onde o Progressistas de Lucas Ribeiro, o MDB de Cícero precisará de muito mais do que história para não ser atropelado pelo novo desenho de poder que se mostra no horizonte paraibano. A conferir se a experiência de “quem já foi tudo” será suficiente para conter o avanço de quem “quer ser o amanhã”. O jogo começou.



