
A homenagem aprovada pela Câmara Municipal de Capim ao jornalista Chico Soares não é apenas mais um título de cidadania entregue na região — é o reconhecimento formal de uma história que, há décadas, se confunde com a vida política, social e cultural do Vale do Mamanguape. Ao conceder, por unanimidade, o título de Cidadão Capiense, os nove vereadores da Casa não celebraram apenas um profissional competente, mas um personagem que ajudou a narrar, interpretar e registrar a evolução de nossa região como poucos.
A iniciativa do vereador José Ramos do Nascimento, o Zé Ramos (PSB), veio acompanhada de um discurso emocionado que resgatou a caminhada de Chico: o nascimento em Sapé, a infância e formação em Itapororoca, e a construção de uma carreira sólida que fez dele uma das vozes mais respeitadas da imprensa paraibana. Zé Ramos não falou apenas como parlamentar, mas como alguém que testemunhou o impacto real de um comunicador cuja vida profissional sempre esteve profundamente vinculada ao cotidiano das cidades que compõem o Vale.
E há motivos de sobra para essa admiração. Chico Soares é, sem exagero, um arquivo vivo da política regional. Sendo o repórter político mais antigo em atuação no Vale do Mamanguape, ele foi pioneiro na cobertura dos bastidores do poder, quando ainda eram poucos os que se dedicavam a esse tipo de jornalismo. Cobriu embates, acordos, rupturas, campanhas e transformações. Fez isso com proximidade, senso crítico e respeito ao ofício — qualidades que explicam sua longevidade e sua relevância.
Sua trajetória profissional é plural e marcante. Foi secretário de Comunicação de Itapororoca em duas gestões, atuou na Assembleia Legislativa e na Secom do Governo do Estado, além de ter deixado sua marca nas rádios Constelação FM, Cultura AM e Rural AM, em Guarabira, nos anos 1980 e 1990 — período em que o rádio tinha peso decisivo na formação da opinião pública. Durante 17 anos esteve no ar na Correio do Vale FM, em programas como Correio da Manhã e Rádio Repórter, sendo uma das minhas companhias e referência diária para milhares de ouvintes. Passou ainda pela Capim FM e, mais recentemente, pela Rádio Litoral, no programa Balanço PB.
Como se não bastasse, Chico também é fundador e diretor-presidente do Blog Chico Soares, hoje um dos portais jornalísticos mais acessados e influentes da Paraíba — prova de que sua capacidade de dialogar com o público não se limita ao rádio, mas se renova com as plataformas digitais.
O título concedido pela Câmara de Capim, portanto, não é apenas simbólico; é justo. Reconhece alguém que sempre soube ouvir, interpretar e dar voz ao Vale do Mamanguape. Reconhece um jornalista que acompanhou a política paraibana por dentro, que conhece seus personagens, suas fases e suas nuances como poucos. Reconhece, por fim, um cidadão que, mesmo antes da honraria, já pertencia à história de Capim e de toda a região.
Numa época em que a informação é tantas vezes tratada de forma superficial, celebrar trajetórias como a de Chico Soares é reafirmar a importância do jornalismo sério, persistente e enraizado na comunidade. É lembrar que contar a história de um povo também é uma forma de pertencimento.
E Chico, sem dúvida, pertence ao Vale do Mamanguape — e agora, oficialmente, também à cidade de Capim.



