Durante a realização do Toré indígena de encerramento de 2025, neste sábado (27), na Aldeia Monte-Mor, em Rio Tinto, a vereadora e cacica Claudecir Braz, conhecida como Cacica Cal, falou sobre os avanços decisivos no processo de demarcação da Terra Indígena Monte-Mor, que entrou em sua etapa final após a homologação assinada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Em declaração concedida ao Blog Lenilson Balla, Cacica Cal destacou que, na última semana, foi publicada oficialmente a linha delimitatória do território indígena, permitindo o encaminhamento do processo para registro em cartório. Segundo ela, a expectativa é de que todo o trâmite seja concluído nas primeiras semanas de janeiro.
“A gente teve agora na última semana, a publicação da linha delimitatória do nosso território. Agora se encaminhou para o cartório, para fazer o registro de homologação. E tá tudo caminhando bem, graças a Deus, dentro do movimento indígena, mesmo com essas PECs, atropelando tudo aí pelo Congresso, nós não fomos afetados, graças a Deus, e a gente tá seguindo a nossa luta firme e forte”, afirmou.
A cacica ressaltou ainda que o reconhecimento do território vai além da posse da terra, refletindo diretamente na valorização cultural, social e econômica da comunidade indígena.
“A gente sempre tem feito a valorização do nosso território, produzindo, tendo uma qualidade de vida boa, gerando imposto, gerando renda para o nosso Estado e nosso país. A gente tem caminhado bem, graças a Deus. Agora, só finalizar nas primeiras semanas de janeiro com o processo de cartório”, completou.
A Terra Indígena Potiguara de Monte-Mor foi oficialmente homologada em dezembro do ano passado, quando o presidente Lula assinou o decreto em um ato realizado em Brasília, que contou com a presença da própria Cacica Cal. O momento foi considerado histórico para os povos indígenas da região.
Há mais de 15 anos, Claudecir Braz lidera a luta pela demarcação junto à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Ao longo desse período, mais de 3 mil famílias indígenas aguardavam a regularização definitiva de suas terras, um direito agora consolidado com a homologação e em fase final de registro.
Para a liderança indígena e parlamentar, a conclusão do processo representa não apenas uma vitória jurídica, mas também um marco de resistência, reconhecimento e justiça histórica para o povo Potiguara de Monte-Mor, fortalecendo a luta indígena no Litoral Norte da Paraíba.
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