O número de brasileiros que solicitaram a autoexclusão de plataformas de apostas online cresceu 588% durante as primeiras duas semanas da Copa do Mundo, segundo dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda. Entre os dias 15 e 28 de junho, a Plataforma Centralizada de Autoexclusão recebeu 250.129 pedidos de bloqueio ou prorrogação, média de 17.866 solicitações por dia, contra 2.594 registros diários no período equivalente de maio.
A ferramenta impede que usuários utilizem seus CPFs para realizar apostas em plataformas autorizadas pelo governo federal. Em números absolutos, foram 211.222 pedidos a mais durante o torneio em relação ao período anterior.
Segundo a SPA, o aumento reflete a maior exposição às apostas durante a Copa, a ampla divulgação da plataforma e a conscientização sobre os riscos financeiros e emocionais do jogo. Especialistas também apontam que muitos usuários recorreram ao bloqueio de forma preventiva, antes mesmo de desenvolver um quadro de compulsão.
Durante a Copa, o principal motivo informado para a autoexclusão foi a prevenção contra o uso indevido de dados pessoais (29,5%), seguido pela perda de controle sobre o jogo (24,1%). Antes do torneio, a principal justificativa era justamente a perda de controle, que representava 43,6% dos pedidos.
A maioria dos usuários optou pelo bloqueio por tempo indeterminado, percentual que passou de 62,1% antes da Copa para 63,5% durante a competição.
Representantes de entidades que atuam no combate ao jogo compulsivo avaliam que os números refletem o receio de agravamento do vício em um período marcado pela intensa publicidade das casas de apostas, na primeira Copa do Mundo realizada após a regulamentação do setor no Brasil. Já associações do mercado de apostas defendem que o crescimento também demonstra a maior utilização dos mecanismos de proteção disponíveis nas plataformas legalizadas.
O Ministério da Fazenda estima que o Brasil possui cerca de 25 milhões de apostadores cadastrados. Após a repercussão da publicidade de bets durante a Copa, o governo federal anunciou novas regras para propagandas do setor, exigindo alertas sobre os riscos do jogo e proibindo anúncios que estimulem apostas com promessas de ganhos ou suposta expertise de influenciadores e comentaristas.



