O cinema brasileiro viveu um momento histórico na noite deste domingo (11), durante a cerimônia do Globo de Ouro 2026. O filme “O Agente Secreto” conquistou dois dos três prêmios a que concorria — melhor ator em filme dramático, com Wagner Moura, e melhor filme em língua não-inglesa — marcando a primeira vez que o Brasil vence duas categorias em uma mesma edição da premiação.
Até então, o país havia alcançado vitórias pontuais. Em 1999, Central do Brasil levou o prêmio de melhor filme em língua não-inglesa, e, em 2025, Ainda Estou Aqui rendeu a Fernanda Torres o Globo de Ouro de melhor atriz em drama. Já em 2026, O Agente Secreto chegou com três indicações e consolidou um feito inédito.
Ambientado nos anos 1970, em plena ditadura militar, o longa acompanha a trajetória de um professor universitário que retorna ao Recife para reencontrar o filho caçula, mesmo diante dos riscos do período. Wagner Moura, protagonista do filme, tornou-se o primeiro ator brasileiro a vencer o Globo de Ouro na categoria de melhor ator em filme dramático, superando nomes como Joel Edgerton, Oscar Isaac, Dwayne Johnson, Michael B. Jordan e Jeremy Allen White.
Em seu discurso, Wagner Moura agradeceu ao diretor Kleber Mendonça Filho e destacou a mensagem do filme. “É um filme sobre memória, a falta dela e um trauma geracional. Se um trauma pode ser passado por gerações, os valores também podem”, afirmou. O ator também saudou o público brasileiro em português: “Viva o Brasil e a cultura brasileira”.
Além do prêmio de atuação, O Agente Secreto devolveu o Brasil ao topo da categoria de melhor filme em língua não-inglesa após um intervalo de 27 anos. Ao anunciar o vencedor, a atriz Minnie Driver surpreendeu ao dizer “parabéns” em português antes de citar o título do filme.
Ao receber o prêmio, Kleber Mendonça Filho mandou um “alô, Brasil”, agradeceu ao elenco e elogiou Wagner Moura. “As melhores coisas acontecem quando você tem um grande ator e um grande amigo”, disse. O diretor ainda dedicou a conquista aos jovens cineastas e reforçou a importância de seguir produzindo cinema em tempos desafiadores, tanto no Brasil quanto no exterior.



