O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já anunciou R$ 283,2 bilhões em medidas de incentivo à economia desde o início do ano, valor que se aproxima dos R$ 325 bilhões mobilizados pelo governo Jair Bolsonaro durante o período eleitoral de 2022, em valores corrigidos pela inflação.
Levantamento compilado pelo banco suíço UBS mostra que, diferentemente do modelo adotado por Bolsonaro, baseado em desonerações fiscais e ampliação de benefícios sociais, a estratégia da atual gestão concentra esforços na expansão do crédito por meio de empréstimos garantidos por fundos públicos e outras iniciativas voltadas ao sistema financeiro.
Segundo os dados, cerca de 69% dos recursos anunciados, o equivalente a R$ 193,5 bilhões, dependem da contratação de financiamentos por consumidores e empresas. Entre os programas está o Move Brasil, que prevê R$ 30 bilhões para financiamento de veículos destinados a motoristas de aplicativo e taxistas, mas que liberou apenas R$ 2 bilhões até agora devido à elevada inadimplência e às restrições de crédito enfrentadas pelos interessados.
Diante desse cenário, o governo também ampliou programas de renegociação de dívidas, como o Novo Desenrola Brasil, na tentativa de facilitar o acesso da população ao crédito.
O Ministério da Fazenda rejeita a interpretação de que as medidas tenham caráter eleitoral e afirma que as ações fazem parte de uma política econômica desenvolvida desde o início do mandato. Em nota, a pasta destaca que cerca de 70 políticas públicas foram aprovadas na área econômica e sustenta que o objetivo é conciliar crescimento econômico com equilíbrio fiscal.
O governo também defende iniciativas como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais, argumentando que a medida busca promover maior justiça tributária e reduzir desigualdades. Além disso, atribui o elevado custo dos empréstimos e da dívida pública à combinação de fatores internos e externos, incluindo juros elevados no mercado internacional e riscos fiscais, reafirmando o compromisso com a obtenção de superávits primários e a estabilização das contas públicas.



