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A força do rádio na era digital e o que o editor anda ouvindo

O rádio reafirma sua força como companhia humana, curadoria sensível e elo cotidiano com milhões de brasileiros.

Num mundo saturado por telas e algoritmos que tentam, a todo custo, prever nosso próximo desejo, um velho conhecido resiste e se reinventa: o Rádio. Frequentemente subestimado pelos entusiastas da última tecnologia, ele segue como uma força avassaladora, especialmente no Brasil. Não é apenas nostalgia; é um dado concreto de conexão humana. Dados da Kantar IBOPE Media reforçam essa vitalidade: o rádio faz parte da rotina de 79% da população, com um consumo diário que impressiona, chegando a quase 4 horas.

Por que essa conexão permanece tão íntima? A resposta reside na humanização e na curadoria. Diferente de uma playlist algorítmica, fria e previsível, o rádio oferece companhia real, prestação de serviço e a surpresa da descoberta – e o fator surpresa é uma das características que mais me encantam. Ele é o abraço sonoro que nos faz sentir parte de uma comunidade, seja no caos do trânsito ou no silêncio do escritório. Como profissional de comunicação e, sobretudo, ouvinte, minha relação com o dial é diária e “eclética”, e neste artigo gostaria de compartilhar sobre algumas estações.

Quando busco a sofisticação do segmento adulto, a Alpha FM é referência: sua plástica impecável e o equilíbrio sensível entre música nacional e internacional, pontuados por intervenções das locutoras, criam um ambiente acolhedor e envolvente. Outro ponto que me chama atenção é que ela, uma rádio adulta, vem aparecendo em primeiro lugar no IBOPE de São Paulo. Nessa mesma linha, a Antena 1 se destaca por sua grade exclusivamente internacional e uma identidade sonora tão forte que é reconhecida instantaneamente; não por acaso, vem aparecendo em terceiro lugar no IBOPE.

Para um nível de exigência ainda maior, acredite: a Forbes Rádio traz o conceito de “primeira rádio de luxo do mundo” para o áudio, com uma curadoria musical voltada para ouvidos seletivos e exigentes. Assim como a Forbes, que é nova no mercado, a Play FM Campinas também surge como uma excelente opção segmentada e tem me surpreendido pelo padrão estabelecido e, claro, pela programação.

Minhas audições também abrangem outras propostas e formatos. Eu curto a criatividade e a seleção musical da Beach Park FM, de Fortaleza, uma emissora que apresenta uma plástica alinhada com o nome da rádio e uma sonoridade diferenciada. Confesso, no entanto, que eu curtia mais a plástica anterior, principalmente pelos elementos sonoros relacionados a água, já que a estação tem a ver com um parque aquático.

No ambiente virtual, as rádios Best Rádio Brasil, Sabiá, Rádio Blog, demonstram que qualidade e profissionalismo não dependem de frequência no dial. No nicho jovem/pop, a dinâmica dos locutores da Magia FM e Mix FM, que eu sempre acompanhei, me inspira e influencia na minha forma de comunicar. E quando o desejo é conferir o que há de novo na música brasileira, a Nova Brasil FM tem sido a minha preferida.

Entre as rádios populares – não populescas -, eu destaco o segundo lugar no IBOPE/SP, Band FM, que realmente é referência no segmento.

Por fim, a informação é fundamental para mim. Para o noticiário nacional, minha opção tem sido a BandNews FM, com seu jornalismo plural e “mais solto”.

O rádio mudou — hoje ele é ‘all-platform’ – está no FM, streaming, app, e com imagens no YouTube. Mas sua essência permanece inalterada: a capacidade de ser, ao mesmo tempo, a voz que informa, o som que nos acompanha e a trilha sonora que nos embala, um serviço público que nenhuma playlist algorítmica conseguirá substituir. Ciente disso, nenhum radialista profissional deveria deixar de ser, antes de tudo, um ouvinte de rádio. #Opinião


Ikeda Gomes – Radialista, jornalista, geógrafo e radioamador. Há 22 anos dá voz à Guarabira FM como locutor. Também assina um blog de notícias e opinião, onde escreve sobre Comunicação, Política, Cultura e Vida.

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