
Há uma criança que ainda vive em nós — silenciosa, adormecida, intacta — e que sobrevive nas nossas memórias afetivas.
Rubem Alves escreveu: “As crianças não têm ideias sobre o mundo, elas têm o mundo.” E é esse mundo que deixamos de apreciar quando passamos a viver com os olhos presos no relógio; deixamos de apreciar o caminho, preocupados demais com a chegada, e de apreciar o brilho do instante, preocupados demais com o que vem depois…
Saint-Exupéry nos lembra que “todas as pessoas grandes foram um dia crianças, mas poucas se lembram disso.” É justamente nessa lembrança esquecida que mora a esperança de nos tornarmos mais humanos, mais compreensivos, mais amorosos. Reencontrar a criança que fomos um dia é um exercício da alma. É reaprender a viver com leveza, é apreciar a beleza das flores e o riso das crianças, tão cheios de ternura.
Dentro de cada um de nós há uma criança adormecida que ainda sabe se encantar com a beleza da vida, sonhar e viver. A criança que fomos ainda mora em nós, apenas anda um pouco esquecida entre compromissos e relógios apressados. Talvez nos falte reaprender a ver o milagre das pequenas coisas, o encanto das coisas simples, pois a verdadeira sabedoria está em saber envelhecer sem perder a doçura.
A criança que ainda existe em nós é o que verdadeiramente importa para viver, sonhar e recomeçar todos os dias.



